História

   

O Distrito de Quatis
 
Primitivamente habitado pelos índios Puris, nossa região demorou muito a ser desbravada devido à Serra do Mar e à reação dos índios. Somente em 1724, iniciou-se a escalada por ordem do Governador Luis Vahia Monteiro, com a finalidade de abrir um caminho mais curto para São Paulo, sem os inconvenientes da travessia marítima até Parati. Passou a ser trajeto natural de bandeirantes e tropeiros que ligavam Minas Gerais ao litoral, que aqui paravam por causa da boa água da área hoje conhecida como Biquinha, marco zero de nossa história.
A ocupação definitiva se fez a partir de Resende, quando Simão da Cunha Gago, taubateano, vindo de Aiuruoca, descobriu em 1744 uma extensa clareira na Mata Atlântica, de aproximadamente 40 quilômetros, entre Quatis e Itatiaia. Com a fundação do povoado de Nossa Senhora da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova, mais tarde Resende, esta área começou a ser povoada. Os primeiros moradores dedicaram-se à criação de gado, plantação de cana de açúcar e produção de anil.
Com o declínio do ouro em Minas Gerais, no final do século XVIII, os primeiros mineiros passaram a vir para cá, com seus escravos e o dinheiro conseguido com a mineração, a fim de plantar café. Várias sesmarias passaram a ser concedidas por boa parte do Vale do Paraíba fluminense, em virtude deste produto ter se espalhado por todo o vale, tendo Resende como centro irradiador. Na primeira metade do século XIX já encontramos notícias de várias fazendas em Quatis e uma capela, do outro lado da linha, dedicada a Santo Antônio.   
 Em 5 de março de 1832, Faustino Pinheiro de Araújo e sua esposa, Gertrudes Maria de Jesus, fazendeiros de Guaratinguetá, doaram terras que possuíam na encruzilhada do quatis para a construção de uma capela em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, além de casas de comércio e residência. Por causa da grande quantidade destes animais aqui existentes o povoado passou a se chamar Nossa Senhora do Rosário da Encruzilhada dos Quatis, mais tarde abreviado para Quatis.
Neste mesmo ano, Barra Mansa separou-se de Resende, mas Quatis continuou com este município até 1848, quando foi desmembrado e anexado a Barra Mansa. Quando esta foi elevada à cidade em 1857, Quatis passou a ser seu 5° distrito, situação em que permaneceu até 9 de janeiro de 1991, quando foi criado o novo município pela Lei n° 1787.
Continuamos a produzir café por todo o século XIX. A partir de 1870, começaram os primeiros sinais de decadência deste produto. Mesmo assim ele foi produzido até o final da década de 1920.
Com a construção da estação ferroviária em Quatis, em 15 de maio de 1897, e a conclusão da Estrada de Ferro Oeste de Minas, em 1915, nova leva de mineiros criadores de gado, vindos da região do Rio Grande (Andrelândia, Lavras, Aiuruoca, Liberdade, São Vicente) e outros pontos de Minas Gerais veio para toda a região sul fluminense, onde adquiriram as fazendas de café já em decadência, implantando assim um novo tipo de economia, a pecuária leiteira. Até por volta de 1930, gado e café conviveram nestas fazendas, quando este foi definitivamente suplantado pela produção do leite.
Com o crescimento desta nova atividade econômica, criou-se, em 17 de novembro de 1941, a Cooperativa Agropecuária de Quatis Ltda, órgão máximo da economia quatiense.
 A partir de 1916, com a nova chegada de mineiros, muitas coisas se modificaram no distrito: foram substituídas as casas de adobe por tijolos e a barca “Mirandópolis” que fazia a ligação até Floriano cessou suas atividades, sendo então construída a ponte metálica que nos liga a Porto Real.
 Em 1951, foi construído o hospital pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Quatis (APAMIQ). Nesta mesma época surgiu a Viação Falcão, ligando este distrito a Barra Mansa, passando por Quatis.
 Nosso distrito teve na segunda metade do século XX, um curto período de apogeu com a produção de frango, hoje não mais existente. Na década de 1970, o distrito de Quatis aumentou consideravelmente sua população devido à construção da Ferrovia do Aço, surgindo vários novos bairros, como: Mirandópolis, Jardim Independência, Bondarovski, Jardim Pollastri.
 Social e politicamente, Quatis sempre se destacou dentro do município de Barra Mansa. Ainda no século XIX, por obra de Luis da Rocha Miranda (Comendador Miranda) primeiro proprietário da Fazenda Santana da Cachoeira e da fazenda Moquém, foi construído o primeiro teatro do município, o Teatro São Luis. Muitos fazendeiros do município-sede possuíam casas aqui. E nossos políticos sempre se destacaram no município, sendo os primeiros prefeitos eleitos de Barra Mansa os quatienses Coronel Alfredo Dias de Oliveira (2 de agosto e 1922 a 12 de junho de 1924), Wanderlino Teixeira Leite (1924 a 1927) e Oscar Teixeira de Mendonça (1927 a 1929). Aliás, foi no período de governo de Wanderlino Teixeira Leite (1925) que se instalou aqui a luz elétrica, tendo então se transformado o teatro em cinema com o nome de Cine Teatro São Luís, mais tarde Cine Quatis.
 A partir da década de 1960, algumas tentativas pró-emancipação foram feitas visando a autonomia do distrito, somente conseguida em 1990, quando num plebiscito a 25 de novembro o povo quatiense decidiu pela separação do município-sede e constituiu um novo município.

 
Distrito de Ribeirão de São Joaquim
 
                 Sobre a sua origem do povoado, há uma lenda, segundo a qual três irmãos _ Diogo Álvares Pereira, Boaventura Álvares Pereira e Joaquim Álvares pereira – reunidos, marcaram a hora da saída de casa, e convencionaram que onde se encontrassem, ao meio-dia, seria estabelecida a sede da freguesia, e assim o fizeram, iniciando a capela do Patriarca São Joaquim.
                 Historicamente, o distrito deve sua origem a Joaquim José Pereira de Carvalho, e sua mulher, Umbelina de Mendonça, que, em 10 de janeiro de 1827, doaram ao Patriarca São Joaquim, uma área de terras destinada à construção de uma capela em honra ao referido santo e distribuição àquelas pessoas que nela desejassem levantar suas casas de moradia e de comércio.
                 Primitivamente, pertencente a Valença passou para Barra Mansa em 1844, em decorrência da mesma Lei Provincial que também anexou Quatis a este município.
                Enquanto afluíam tropas de Minas Gerais, e de algumas povoações vizinhas, que ali deixavam as cargas, em troca de sal – quando não prosseguiam até os portos do mar – a povoação progrediu vertiginosamente, a ponto de se transformar em uma das mais importantes praças comerciais do município de Barra Mansa, em fins do século XIX.
                 O apogeu do povoado foi provocado pela cafeicultura, que para ali atraiu grandes fazendeiros e senhores de escravos. Diz-se mesmo, que a ostentação da população era tão intensa, que o povoado teve, no século XIX e no início do século XX, até um cassino onde as riquezas eram ampliadas, ou diluíam-se, rapidamente, nas mesas de jogo.
                 Com a crise que se seguiu à libertação dos escravos, o povoado iniciou sua decadência econômica e social, agravada, ainda mais, com a construção no final do século XIX, de um trecho da E.F. Oeste de Minas, cujo traçado cortava as terras da freguesia de Nossa Senhora do Rosário da Encruzilhada dos Quatis e não as terras do Patriarca São Joaquim.
                 Este último empreendimento, muito concorreu para o soerguimento de Quatis, atraindo população de diversas regiões vizinhas, mas infelizmente, provocou o declínio daquele distrito, em cujo casario, ainda hoje, podemos encontrar vestígios do fausto que imperava na sociedade dos tempos áureos do café.
                 As velhas fazendas de café, falidas ou abandonadas, foram adquiridas pelos migrantes mineiros, procedentes do sul das Gerais e transformadas em importantes centros pecuaristas, principal fonte econômica do distrito.      
 
 
Distrito de Falcão
 
                 As terras do atual distrito de Falcão, a 18 km da sede do município (Quatis), apesar de conhecidas desde a segunda metade do século XVIII, só foram desbravadas nos primeiros anos do século XIX.     
                 Pertenceram, primitivamente, ao município de Resende, passando, mais tarde, a integrar o distrito de São Joaquim.
                Deve-se sua existência à passagem por suas terras da famosa “estrada de Passa Vinte”, que fazia a comunicação de Barra Mansa com o sul de Minas Gerais. No ponto em que esta estrada, depois de concluída, se entroncava com os caminhos procedentes das freguesias de Resende e de São Joaquim, foram levantadas, em 1865, as primeiras edificações, impostas pelas necessidades do comércio com as tropas e viajantes que por elas transitavam, dando assim origem ao povoado.
                 A iniciativa de Francisco de Souza e Almeida, doando, em 1877, um alqueire de terras a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, para a construção de uma capela e distribuição entre aqueles que desejassem edificar as suas moradias, foi um dos fatores que mais concorreu para o seu rápido desenvolvimento. Desta capela não temos notícia.
                O certo é que Coronel Felicíssimo do Rego Barros, nascido na Província do Rio de Janeiro em 1846, foi um dos fundadores da Freguesia de Falcão. Por sua iniciativa foram construídos o cemitério público local e a capela de São Sebastião. Felicíssimo e Carlota Augusta Machado se casaram em 1871 e moraram em Falcão até 1885, onde ele era lavrador e exerceu cargos públicos de destaque, como: Juiz de Paz, subdelegado, agente de correio. Felicíssimo do Rego Barros era filho de Felicíssimo José Braga e Balbina Zeferina de São José, ambos professores primários em Falcão.
                 A presença continuada de tropeiros e viajantes das mais longínquas paragens no povoado e a sua distância da sede do município (na época, Barra Mansa) levou os seus moradores a pleitear, ali, a criação de um distrito policial. Tal pretensão somente foi atendida em 30 de outubro de 1885, quando, por deliberação, o Governo da Província criou o distrito policial, com terras desmembradas da freguesia de São Joaquim. Outra deliberação provincial, de 29 de março de 1889, criou em seu território um distrito de paz.
                 Contudo, implantada a República, quando da realização da primeira divisão administrativa do Estado do Rio de Janeiro, o distrito de Falcão foi suprimido pelos decretos 1 e 1-A, respectivamente, de 8 de maio e de 3 de junho de 1892, voltando as suas terras a integrarem o distrito de São Joaquim.
                 Somente em 1919, por força da Lei de 20 de novembro, o distrito foi restabelecido, passando a figurar em todas as divisões administrativas e territoriais do Estado que, então, se lhes seguiram, como distrito componente do município de Barra Mansa.
                 Foi a conclusão de um trecho da E.F. Oeste de Minas, em 1915, que estendia a linha tronco, de Barra Mansa até Ribeirão Vermelho (MG), que permitiu o soerguimento do distrito, depois da crise que se seguiu com o término da escravidão negreira.
                 As velhas fazendas de café, quase abandonadas, foram adquiridas por migrantes mineiros, procedentes de municípios vizinhos, e transformadas em importantes centros agro-pastoris, fonte em que se apóia a riqueza do importante distrito de Quatis nos dias atuais.
 
 
Município de Quatis
 
O novo município foi administrado pelo Conselho Popular de Quatis (CPQ) presidido por Arquimedes Vieira Motinha enquanto não se fazia eleição para prefeito. Coube a este Conselho fazer a ligação entre as necessidades da nossa população e o prefeito de Barra Mansa, até que o Tribunal Regional Eleitoral marcou a primeira eleição para a prefeitura em 3 de outubro de 1992, sendo então eleito  José Laerte D’Elias para o período 1993/l996. O segundo prefeito eleito foi Alfredo José de Oliveira para o período de 1997/2000, sendo substituído por José Laerte D’Elias no período de 2001/2004. Novamente governou a cidade o prefeito Alfredo José de Oliveira, eleito para o período de 2005 a 2008. Durante o período de 2009 a 2012 governou mais uma vez o prefeito José Laerte D’Elias. Para o período de 2013/2016 foi eleito o prefeito Raimundo de Souza.
 Com a eleição do primeiro prefeito em 1992, foi eleita também a nossa primeira Câmara de vereadores que foi constituída por: Aroldo Cabral, Engrácia Vera Maia Rafael, Rosa Idalina Nunes de Macedo, José Cardoso Fonseca, Geraldo de Souza Marques, Cláudio Luiz de Lima, Altamyr Gomes de Oliveira, Raimundo Valeriano da Silva e Hugo de Elias. Coube a esta Câmara elaborar a nossa Lei Orgânica, promulgada em 30 de junho de 1993, na presidência de Aroldo Cabral.
             O Município de Quatis, após sua emancipação, passou a abranger a seguinte divisão político-administrativa:
 
. 1° distrito – Sede
 
. 2° distrito – Ribeirão de São Joaquim
 
. 3° distrito – Falcão
 
 
 Bibliografia
 
ALMEIDA, Antônio Figueira de – Barra Mansa 1764 – 1984. Memória Comemorativa do 1° Centenário. Câmara Municipal de Barra Mansa. 1994.
 
ALVES, Perpetua do Socorro Alves. Nossa Senhora do Rosário dos Quatis e sua Gente. Monografia de especialização em pesquisa histórica. Faculdade Salesiana de Lorena (SP). 1974.
 
ATHAYDE, J. B. de – Barra Mansa e seus administradores. Juiz de Fora. Oficinas Gráficas da Sociedade propagadora ESDEUA, 1971.
 
BARROS, Hyeróclio Virgílio de Carvalho – História e histórias de Quatis. Rio de Janeiro. Editoração Editora Ltda. 2003.
 
Comissão Pró-Memória – O resgate de nossa História. Prefeitura Municipal de Quatis- RJ- 2000.
 
LEITE, Helena Fabiano Teixeira e ALVES, Perpetua do Socorro – Minha terra, minha gente – Município de Quatis – Niterói. Imprensa Oficial. 1998.
 
ROCHA, Alexandre Mendes de - Os Puris. O Café no Vale do Paraíba. E chegou o leite com os mineiros. Monografias. Resende. Colégio Pedro Braile Neto. 1983.
 
TORRES, Maria Antônia Alves de Abreu e outros. História da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário de Quatis. Sesquicentenário. Barra Mansa. Gráfica e Editora Ano Bom. 2003.
 
WHATELY, Maria Celina – O Café em Resende no século XIX. . Rio de Janeiro. Editora José Olympio.  1987.
 
ZVEIBIL, Vera Helena Bressan –Machado Retrato de Família. São Paulo. V. H. B. Zveibil, 2000.
 
 
Quatis, maio de 2013.
 
Perpetua do Socorro Alves
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